Li no começo desse ano um livro que todo profissional que trabalha com conteúdo precisa colocar na lista: ‘Cultura da Conexão’, do Henry Jenkins, o mesmo autor de Cultura da Convergência, igualmente importante para quem tem desbravados essas searas e também recomendável para empresários que querem entender um tiquinho a mais de comunicação.
A obra parte de uma pesquisa bastante séria e multidisciplinar e traz inúmeros cases para exemplificar tudo o que apresenta. Não é um texto acadêmico, mas está longe de ser raso. Pretendo falar de forma um pouco mais profunda dos assuntos abordados nele em outros posts, mas acho que vale uma pincelada aqui. O grande diferencial do livro, a meu ver, é tratar o conteúdo, esteja ele a serviço de marcas ou da indústria do entretenimento (um ponto bastante abordado por Jenkins desde ‘Cultura da Convergência), com toda a complexidade que ele merece, especialmente em um cenário de fragmentação de mídia e plataformas participativas.
Propagabilidade
Já falei em alguns outros posts, como nesse sobre as expectativas do cliente em relação ao conteúdo, do frisson que a palavra viral tem causado. Jenkins é bem cuidadoso quanto a isso. Para ele, esses termos criam falsas suposições a respeito de como a cultura funciona, além de distorcer o entendimento das relações entre públicos e produtores. Para ele, os produtores interessados no alcance de suas mensagens devem fixar-se no conceito de propagabilidade, “a ideia de que a eficiência e o impacto de mensagens são aumentados e expandidos por movimentação entre pessoas e entre comunidades” (pág. 46)
Aprender a ouvir
O atual cenário, segundo Jenkins, apesar de tirar as marcas da zona de conforto, de construir mensagens unidirecionais e chegar às massas pela radiodifusão, também traz algumas vantagens, como a proximidade com o consumidor e a possibilidade de escutá-lo diretamente.
O ambiente de mídia propagável tornou a prática de ouvir o público uma prioridade muito maior para a maioria dos profissionais de marketing e das empresas de mídia (pág. 53)
Relação com fãs e propriedade intelectual
Jenkins destaca em vários momentos a importância da participação dos fãs de marcas ou filmes e séries para a propagabilidade das mensagens. Ele cita o caso do ‘Mad Men’, que logo que estreou na TV americana, ganhou fãs tão ávidos que, alguns deles, assumiram a identidade dos personagens da série e começaram a tuitar como eles. A HBO, que exibia a série, não soube muito bem como lidar.
As empresas precisam aprender a lidar com a perda de controle.
As empresas que dizem ao público que tirem as mãos da propriedade intelectual de uma marca estão se distanciando desses processos, muitos dos quais poderiam criar e prolongar o valor dos textos midiáticos. (pág. 63)
O que leva as pessoas a compartilharem conteúdos
A decisão de compartilhar é totalmente do consumidor. Daí a tarefa das marcas de encontrar pontos de relevância para fazer parte das conversas.
Vamos desenrolar sua história?
O conteúdo é uma eficiente ferramenta de comunicação e elemento estratégico para o negócio das empresas que atendemos.
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