A ilusão de falar com as massas

8 de janeiro de 2017 | content marketing

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Uma das principais confusões feitas em relação ao marketing de conteúdo é a suposição de que a função dele é falar com as massas e atingir a maior quantidade de pessoas possíveis, quando seu principal objetivo é cativar o público que interessa à marca. Nem toda empresa tem potencial para um público tão amplo assim. A audiência, por sua vez, também está cada vez mais seletiva e interessada em focar nas informações que lhes interessa. Por questões estratégicas e até financeiras, o ideal é concentrar a comunicação e chegar a quem realmente importa e o conteúdo é um grande aliado para isso.

Seja o empreendedor ou o funcionário de uma empresa que vá contratar os serviços de conteúdo, o mindset ainda está muito calcado na ideia de publicidade e no offline. Na construção de projetos de conteúdo, independentemente da plataforma, existe uma preocupação grande em métricas que nem sempre vai oferecer o termômetro mais eficiente da sua performance. Ter uma página cheia de likes aleatórios com conteúdo forçado certamente terá menos impacto no seu negócio do que uma página procurada por pessoas que certamente se interessam por seu produto ou serviço e estão encontrando informações úteis, interessantes e pertinentes por lá e optar pelo seu negócio no momento de fechar a aquisição.

Como todos sabem, 2016 não foi um ano fácil e muitos devem ter sentido na pele e no bolso os malefícios de um propósito equivocado para o negócio como um todo e de amadorismos nos caminhos dados à comunicação. Em tempos de crise, a combinação de ambos é quase uma hecatombe. Na minha agência, boa parte do orçamento do ano veio de pequenas e médias empresas em busca de se reposicionar ou se apresentar para o mercado de forma bastante clara. O que pude observar é que em quase todas essas, o que faltava mesmo era a identificação do público e quais eram as buscar dele que o negócio pode corresponder.

Pensando nos erros e acertos com os quais tive contato em 2016 (meus, como empreendedora, e dos outros), fiz uma lista que é uma espécie de kit básico de sobrevivência em 2017 para quem quer desbravar o mundo do conteúdo e chegar a algum resultado com isso.

1) Para quem?

Se você não é a Coca-Cola, o Guaraná Antártica ou qualquer produto que sirva a toda a família e invista milhões por ano em televisão, em especial no horário nobre da Globo, você provavelmente não terá milhões de seguidores espontâneos e engajados na sua fanpage. É preciso ter uma noção clara do seu potencial e agir para fazer o melhor dentro das suas possibilidades. Se você tem uma marca de roupa infantil com a proposta de conforto para a criança, seria bom ter entre os seus seguidores uma base significativa de pais que compactuam com a ideia de que criança deve brincar, se exercitar e estar confortável para isso. Suas possibilidades de conversão serão bem maiores.

2) Como meu negócio pode satisfazer os desejos do meu púlico?

Antes de desenvolver suas estratégias de conteúdo, faça algumas perguntinhas básicas para você mesmo: quais são os desejos do meu público que eu posso satisfazer? Quais são as perguntas que eles têm em mente que eu posso responder? Se você conseguir identificar esses pontos e for criativo na criação de conteúdos e certeiro na distribuição, suas chances de sucesso são grandes. Nem sempre é preciso ter muitos recursos. Confira aqui um post sobre duas empresas pequenas que estão mandando bem em conteúdo. Nem sempre os meios digitais são os mais eficientes, aí caímos no profissionalismo de que falo no item 5.

3) Foco no que é seu, de fato

Como observei, tem gente pensando com cabeça do offline no meio digital. Essa história de querer usar influenciador para tudo tem um pouco a ver com isso. Eles podem ser importantes em algum momento, mas, do mesmo modo que os veículos de comunicação vêm colapsando, não acho inteligente depositar caminhões de dinheiro em gente que não sabemos quanto vai durar e que seus concorrentes também estão procurando. É preciso desenvolver as mídias proprietárias e poucas empresas, inclusive as grandes, estão dando a devida atenção a isso.

4) Encontre uma voz, seja autêntico

Cada vez mais será preciso entender o público, como destaquei no item 1 e desenvolver uma voz e um posicionamento bastante pertinente e autêntico para ser ouvido. Pense nisso!

5) Profissionalismo, pelo amor de Deus

Fazer conteúdo de qualidade supõe uma série de reflexões sobre o negócio que nem toda empresa está interessada em fazer e nem toda agência está preparada para conduzir. Veja o post que fiz sobre os combos oferecidos pelas agências de comunicação. É um processo de construção que com certeza trará muitos frutos a quem decidir encarar.

Artigo publicado originalmente no Pulse.


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