Empoderamento feminino: discurso, prática e o marketing de conteúdo

29 de setembro de 2015 | audiovisual, content marketing, Internet

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Como, de fato, as marcas podem pegar carona no discurso que está tão em alta no momento: o empoderamento feminino? Estive pensando nisso quando participei do Fórum Mulheres Empreendedoras, organizado pela Rede Mulher Empreendedora no começo de setembro em São Paulo, e refleti muito sobre as armadilhas implícitas. Vejo muitas marcas e, inclusive a nossa imprensa feminina, derrapando na curva e confundindo as bolas.

Empoderamento é a conscientização, conquista da condição e da capacidade de participação social e exercício da cidadania. Fazer o que as marcas de cerveja fazem, tratando a mulher como objeto de desejo, ou as revistas femininas, que se apropriam do discurso, mas no fundo tudo o que se propõem a fazer é ensinar a mulher a agradar ao homem, vão totalmente na contramão dessa tendência.

Uma marca com a intenção de ajudar no empoderamento feminino tem uma etapa inicial bem árdua a superar: incorporar uma nova cultura e agir de modo coerente com ela.  A partir dessa conquista, é só usar a criatividade sem cair nas chatices do sexismo. O Ramona, um restaurante no centro de São Paulo, fez uma ação bem simples, mas impactante, para chamar a atenção para a diferença de salários entre homens e mulheres na mesma função, que no Brasil é 30% em média. O restaurante criou o Unfair Menu, em que os pratos custavam 30% a mais para os homens. A ideia era chamar a atenção para essa discrepância.

Outro restaurante, dessa vez no Chile, chamado Las Cachás Grande, colocou uma placa na porta, convidando mães que querem amamentar seus bebês a entrarem sem pedir permissão e ainda as presenteava com uma xícara de chá. A Budweiser também optou por trazer a força e não a sexualidade feminina ao contratar a lutadora Ronda Rousey como garota propaganda.

Para participar da onda do empoderamento feminino não é necessário ser uma marca totalmente mergulhada no universo feminino, nem gastar milhões em marketing (as ações dos restaurantes não são iniciativas necessariamente caras), mas é preciso ter uma disposição genuína a mudar de paradigmas.